Motivado por leituras correntes, transcrevo trecho de uma tradução do texto.
O central: o discurso, a retórica e a linguagem.
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Se foi o discurso que o persuadiu e enganou a alma, nem diante disso é difícil fazer a defesa e desfazer a acusação, assim: o discurso é um grande soberano, que com o mais diminuto e inaparente corpo as mais divinas obras executa; pois ele pode cessar o medo, arrancar a tristeza, suscitar a alegria e aumentar a compaixão. E isto como é que se dá eu mostrarei: é preciso também por opinião mostrar aos ouvintes: toda poesia eu considero e denomino um discurso que tem metro: nos que a escutam penetra um calafrio de terror, uma compaixão lacrimosa, um pesar comprazido; e diante das ações e dos corpos alheios, com boa sorte e os reveses, um sofrimento que é próprio, por meio das palavras, a alma sofre. Ora vamos! Que eu mude de um discurso para o outro. Os encantamentos inspirados divinamente, por meio das palavras, movem o prazer, removem a dor; conformando-se com a opinião da alma, o poder do encantamento a seduz, persuade e transforma essa alma pelo enfeitiçamento. De enfeitiçamento e magia duas técnicas se encontraram, que são erros da alma e ilusões da opinião. Quanto a quantos persuadiram e persuadem, sobre quanta coisa, um falso discurso modelando! Se com efeito sobre todas as coisas todos tivessem memória das passadas < visões >, das presentes e previsão das futuras, não seria semelhante o discurso para aqueles aos quais agora, o discurso enganaria. De fato porém, nem para recordar o passado, nem para examinar o presente, nem para adivinhar o futuro tem bom caminho; de maneira que, sobre o maior número de casos a maioria tem a opinião como conselheira presente da alma. Mas a opinião, escorregadia e instável, em escorregadios e instáveis desencontros arremessa os que dela se servem. Então, que causa impede que também a Helena hinos tenham encantado semelhantemente, embora não sendo jovem, como se por força dos violentos tivesse sido raptada? O efeito da persuasão domina, mas a mente, embora não tenha a forma da necessidade, tem o mesmo poder. Pois o discurso que persuadiu a alma, a que ela persuadiu, força-a a se confiar no que é dito e a aprovar o que é feito. Quem portanto persuade, pelo fato de forçar, comete injustiça, mas a alma persuadida, enquanto forçada pelo discurso, sem razão tem má reputação. Que a persuasão, associando-se ao discurso, forja a alma como quer, deve-se primeiro aprender os discursos dos meteorologistas, os quais, opinião contra opinião, ora tirando uma, ora suscitando outra, fazem que o incrível e obscuro se evidenciem aos olhos da opinião; em segundo lugar, os inevitáveis debates, por meio dos discursos, nos quais um só discurso muita gente deleita e persuade, com técnica é escrito, não com verdade proferido; em terceiro lugar, as disputas de discursos filosóficos, nas quais se mostra inclusive a rapidez do pensar, que faz mutável a crença da opinião. A mesma palavra tem o poder do discurso perante a disposição da alma e a disposição dos remédios para a natureza dos corpos. Com efeito, como os diferentes remédios expulsam diferentes humores do corpo, e uns cessam a doença, outros a vida, assim os discursos, uns afligem, outros deleitam, outros atemorizam, outros dispõem os ouvintes à confiança, e outros por meio de uma persuasão maligna envenenam e enfeitiçam a alma.
domingo, 23 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Ciências Sociais e Dilaceramento
Ambos estão certos em alguma coisa. Mas, parece que há algo equivocado em ambos...
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Ernesto Varela
Muito antes do CQC, Marcelo Taz fazia o Reporter Ernesto Varela e inaugurava um tipo de humor que agora volta a fazer sucesso.
Veja:
O Nascimento:
Veja:
O Nascimento:
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Fernando Gil, crença e alucinação
Da obra "A Convicção":
“A crença no real não é uma ilusão mas é alucinatória. Nós cremos no mundo e no eu sem esperar justificação nem confirmação, a aparente auto-suficiência da sua realidade dispensa verificação.”
“A crença no real não é uma ilusão mas é alucinatória. Nós cremos no mundo e no eu sem esperar justificação nem confirmação, a aparente auto-suficiência da sua realidade dispensa verificação.”
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Auschwitz, razão, Adorno, Horkheimer (entre outras fi(l)guras) - uma leitura
Vídeo sugerido no blog do Alon. Também indico aos curiosos.
É uma das leituras possíveis sobre a crise da modernidade/razão e a tragédia de Auschwitz.
O recorte analítico é específico. Outras abordagens ao tema são possíveis. Mas, por essa entrada, já dá para fazer um caldo.
É uma das leituras possíveis sobre a crise da modernidade/razão e a tragédia de Auschwitz.
O recorte analítico é específico. Outras abordagens ao tema são possíveis. Mas, por essa entrada, já dá para fazer um caldo.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Spinoza - razão - crença
Segue o trecho de um documentário sobre o Spinoza, um notável e pouco lido filósofo do século XVI (ao menos do campo da teoria política mais escolar).
Em si, a produção não é das melhores. Mas o diálogo travado nesta cena apresenta importantes elementos sobre os temas da crença e razão.
Em si, a produção não é das melhores. Mas o diálogo travado nesta cena apresenta importantes elementos sobre os temas da crença e razão.
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Locke & Berkeley - animated movie
Para quem quer começar o estudo sobre essas "figuras" de uma forma lúdica.
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Sarney e o tempo: palavras de ordem
O tempo passa, as circunstâncias mudam. As figuras, ainda próximas do poder, trocam de posição.
As palavras de ordem, porém, continuam as mesmas.
Recentemente, visitei uma exposição no Museu da República sobre as Constituiçõe brasileiras. Num dos espaços, sobre o período da Constituinte, há alguns "bottons" ilustrando facetas do momento político e da mobilização. Dois deles falam sobre Sarney. Os termos são praticamente os mesmos de hoje.
Recentemente, visitei uma exposição no Museu da República sobre as Constituiçõe brasileiras. Num dos espaços, sobre o período da Constituinte, há alguns "bottons" ilustrando facetas do momento político e da mobilização. Dois deles falam sobre Sarney. Os termos são praticamente os mesmos de hoje.
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